Em entrevista para a Rádio Sulbrasileira, o delegado de polícia, doutor Carlos Beuter disse que Panambi se tornou nos últimos anos, uma fábrica de traficantes.
Citou que entre 2002 até o momento, mais de 80 adolescentes e jovens com média de idade entre 16 e 20 anos foram aliciados. Eram usuários e foram transformados em traficantes, sendo identificados e presos pela Polícia Civil.
Este tipo de aliciamento de jovens é feito por traficantes importados por organizações criminosas da região metropolitana e de Passo Fundo que são enviados para Panambi. A polícia civil identificou pelo menos 34 indivíduos que não possuem vínculo com Panambi eram orientados por lideranças criminosas dentro de penitenciárias para virem até a cidade com a finalidade de aliciar jovens dependentes químicos transformando-os em traficantes.
Para isso, as organizações criminosas alugam imóveis para abrigar os traficantes que fazem o trabalho de preparar usuários a se tornarem traficantes.
O delegado Carlos Beuter informou ainda que quando um traficante era preso vinha outro em seu lugar para continuar o trabalho de aliciamento dos jovens.
Posteriormente os traficantes passaram a aliciar pessoas entre 40 e 50 anos que consumiam entorpecentes, e, viciados recebiam convites para depositar, entregar ou vender drogas depositando para as organizações criminosas via Pix os valores arrecadados.
O delegado Carlos Beuter destacou que, com a identificação dos traficantes, a polícia civil encaminhou o inquérito para o Poder Judiciário a quem caberá dar o veredicto final.
Em relação a ocorrência do falso sequestro, o titular da Delegacia de Polícia de Panambi explicou que o adolescente de 17 anos viciado de entorpecente foi aliciado e passou a condição de traficante de drogas. Recebeu certa quantidade de entorpecentes para venda, consumiu com amigos e ficou com uma dívida de R$ 2 mil. Com não tinha o dinheiro para pagar a dívida aos traficantes montou a estratégia de extorquir sua própria família. Junto com outro rapaz de 18 anos que foi preso, forjou áudios sobre o falso sequestro encaminhado inicialmente para sua avó, posteriormente para o avô e em seguida para seu padrinho que reside em Ibirubá. Chegou a fazer vídeos simulando o menor deitado no colchão de uma residência, e sofrendo ameaças.
A Polícia civil desconfiou se tratar de um estelionato e, após investigação, confirmou que se tratava de um sequestro forjado. O maior de idade foi preso em flagrante por extorsão, mas já foi concedida liberdade provisória pelo Poder Judiciário por entender que se tratava mais de um estelionato do que extorsão e sequestro.
Um terceiro indivíduo que se encontrava no local foi enquadrado como testemunha
Em relação aos proprietários de imóveis alugados para traficantes, o delegado Carlos Beuter disse que, caso seja comprovado que tinham conhecimento que a intenção dos inquilinos era para traficar, vão responder criminalmente.
